Uma carta para João…

João, hoje você ganhou uma irmã. Eu poderia, ou deveria, estar escrevendo para ela, mas resolvi escrever para você. Você ainda não lê, mas do jeito que fala feito uma matraca logo estará lendo tudo que vem pela frente.

A partir de hoje tua vida será bem diferente. Terás que aprender em muitos sentidos. Algumas vezes você vai se chatear, chorar e até querer dar umas porradas em Luísa, mas passa. Eu passei por isso. Sua mãe passou também. Mas hoje, nem de longe, imagino como seria a vida sem ela do meu lado.

Com Luísa será assim, pode apostar. Como sua avó sempre me disse, vocês só terão um ao outro. E é assim. Não existe verdade maior. Vai ter briga? Vai. Vai ter tapa? Claro que vai. Vão ficar sem se falar? Várias vezes. Mas na hora que o bicho pegar, é ela que você terá primeiramente ao seu lado. E quando olhares para frente terás a mesma certeza que eu tenho hoje, é muito massa ter um irmão.

A vida da gente foi feita para dividir, sempre. E é com Luísa que você terá alguns dos melhores momentos da sua vida.

Então, João, hoje é o primeiro dia dos melhores dias da sua vida.

Vida nova a você e a Luisa.

Te amo.

P.S: Luísa, espero que você, nos outros dias da sua vida, não seja tão apressada quanto hoje.

Menina dos olhos do mar…

Antônio Maria eternizou: “Sou do Recife com orgulho e com saudade”. Recife a maior capital do Brasil, cidade da maior avenida em linha reta da América Latina, berço do Galo da Madrugada, maior bloco de carnaval do mundo. Recife tão antenada que não precisa de feriado para celebrar aniversário.

Recife de rios, pontes, overdrives e muita história. Berço de índios, portugueses, holandeses, judeus, imperadores e barões, alguns sem a menor nobreza. Recife das batalhas, da Guerra dos Mascates, da Revolução Pernambucana e de Frei Caneca. Recife que adotou, como faz como todos seus filhos, Dom Helder Câmara, nomeado Arcebispo de Olinda e Recife coincidentemente no dia do seu aniversário, em 12 de março de 1964.

Recife de Edgar Morais, Fernando Lobo, João Falcão, Tereza Costa Rego, Geninha da Rosa Borges, Reinaldo de Oliveira, Renato Phaelante… Do Teatro de Amadores de Pernambuco, de João Cabral de Melo Neto. Recife do seu hino escrito por Manoel Aarão e musicado por Nelson Ferreira.

Recife das desigualdades, da periferia, dos morros, dos arranha-céus, da Brasília, de gente honesta e batalhadora. Recife que, de tão poderosa, tem duas mães, Nossa Senhora do Carmo e da Conceição, nossa Ceça. Recife que cresceu dando as costas para sua história e hoje luta para preservar o que sobrou. Recife de encantos mil.

Recife minha cidade, meu berço, meu orgulho. Recife a melhor cidade do mundo. Recife que tem a magia de transformar quatro dias de festa em memória de uma vida inteira. Uma cidade que tem cheiro, tem calor e tem um dicionário próprio.

Recife do recifense, que precisa ter mais carinho por sua cidade. Nossa cidade que corre nas veias as águas do Capibaribe e Beberibe. Faço minhas as palavras de Cícero Dias: “Eu ví o mundo… ele começava no Recife”. Feliz Aniversário.

Fotos: Alcir Lacerda

Obs.: Para o bem da nossa amizade, só quem pode falar mal de Recife sou eu. Grato. A Gerência.