“Vixe! Tô sem tempo até pra morrer” ⏰

É instintivo. A primeira coisa que a diz é que não tem tempo. Eu faço isso direto, ou tento não fazer mais. Principalmente quando eu não quero, é uma forma da gente se enganar. Mas tempo é algo que a gente sempre tem. Na maioria das vezes sobra e não percebemos. O que a gente precisa é administrar e otimizar esse tão sofrido e reclamado tempo.

Eu era craque em culpar o pobre do tempo. Até o dia que eu entendi que colocar a culpa nele é terceirizar uma responsabilidade que é minha. E, como já disse aqui, é instintivo nosso terceirizar a nossa culpa. Agora mesmo, tô aqui esperando pra fazer um exame. Já matei dois capítulos do livro que tô lendo e escrevi esse texto. Eu poderia estar de bobeira olhando para a TV ou “navegando” nas redes sociais, como 99% das pessoas que estão aqui. Preferi ser o 1% e administrar esse tempo para mim. É o tipo da coisa que ninguém vai fazer por mim.

Faça esse teste! Seja a prioridade no seu tempo. É legal, é saudável… Você não vai se arrepender.

Obs.: Pra academia ainda tô sem tempo! 🤣

Love people and use things

Provavelmente hoje é um dia comum para você, pra mim também. Você acordou, passou a vista nas notícias, tomou seu café, ou não, eu mesmo raramente tomo. Banho, escova os dentes, roupa, trabalho, faculdade, academia…

Nesses dias comuns a gente vira experimento, quase um ratinho de laboratório nesse grande complexo de estudos que é a sociedade. São centenas e centenas de pessoas dizendo o que devemos ser, fazer, usar. Padrões são estabelecidos a cada instante, a cada novo influencer… Quem imaginou que influenciar pessoas iria virar profissão? Se você está fora desse contexto prepare-se: você será taxado como diferente. Se você não segue os rótulos será rotulado. É simples! Uma galera passa o dia dizendo o que você precisa ter, e ser. No fim você se cobra e entra nesse turbilhão para ser aceito. Uma merda né?

Nesse ritmo, essa sociedade, com um significado bem distante dos dicionários, termina nos levando a um caminho bem diferente do que sua real proposição. Somos “treinados” a amar as coisas, assim como amamos as pessoas.

É assim, um ciclo. Terminar o colégio, prestar vestibular, se formar, estágio, emprego de sucesso, casa própria, carro do ano, família, filhos, previdência privada, aposentadoria e com a gente um monte de coisas que não precisamos e acumulamos. Ah! Depois a gente tá velho, cheio de doenças do mundo moderno e pronto para morrer sem ter vivido, praticamente nada.

A sociedade termina nos cobrando, e crucificando por qualquer fracasso, mais do que nós mesmos. O pior que é muito difícil se livrar disso. Eu mesmo entrei nessa paranóia. Entrei e estou custando para sair dela. Até o processo de entendimento de que se está nesse coletivo suicida é duro e árduo.

É um exercício diário. Será que eu preciso disso? Será que preciso daquilo? Onde isso me acrescenta? O que eu tenho me é suficiente? São questionamentos educativos que são totalmente pertinentes para que possamos viver mais a vida e menos as nossas coisas.

Somos diariamente rotulados de acordo com o que temos e não com o que somos. Um modelo de celular me diferencia de você? Não! Óbvio que não. Porém, na prática, isso funciona de uma forma bem diferente. Ter o último lançamento de um celular, por exemplo, lhe torna mais importante do que a outra pessoa. Isso é surreal. É inaceitável.

Assim também é para o que vestimos. Qual a diferença de uma camiseta preta, por exemplo, de uma confecção nacional ou daquela marca estrangeira que gasta fortunas em desfiles de moda? Tirando o possível trabalho escravo e  centenas de reais, nada! Roupa deveria ser tratado como comódite. Porém o valor agregado que a sociedade colocou através de marcas faz com que as pessoas se diferenciem e se coloquem acima das outras por isso.

Repito, estamos vivendo numa roda gigante onde somos valorizados pelo que temos. E o mais preocupante de tudo isso é que essa rotulação, e consequentemente a cobrança, vem de cedo, na infância. Em alguns casos motivados por pais que já estão nesse surto de consumo. É como o hábito alimentar. O impulso do consumo termina passando de pai pra filho.

É fácil fugir desse senso comum? Não. Não é. É uma mudança de hábitos e, principalmente, uma mudança cultural. É preciso enxergar que somos maiores que o que temos e que comprar algo de determinada marca não nos diferencia.

Outro ponto fundamental é que esse processo serve, principalmente, de fuga para as nossas frustrações. Buscamos no consumo um espectro de felicidade, que nem de longe virá desta forma. Por pouco tempo nosso cérebro supre essa necessidade. Mas, mesmo que instantaneamente, já estaremos em busca de uma nova aquisição para acalmar essa ansiedade consumidora.

Acho que esse é o primeiro de uma série de textos que vou escrever sobre o tema. Não é fácil. Não tá sendo fácil. Mas tem sido legal dividir essas conquistas.

Uma carta para João…

João, hoje você ganhou uma irmã. Eu poderia, ou deveria, estar escrevendo para ela, mas resolvi escrever para você. Você ainda não lê, mas do jeito que fala feito uma matraca logo estará lendo tudo que vem pela frente.

A partir de hoje tua vida será bem diferente. Terás que aprender em muitos sentidos. Algumas vezes você vai se chatear, chorar e até querer dar umas porradas em Luísa, mas passa. Eu passei por isso. Sua mãe passou também. Mas hoje, nem de longe, imagino como seria a vida sem ela do meu lado.

Com Luísa será assim, pode apostar. Como sua avó sempre me disse, vocês só terão um ao outro. E é assim. Não existe verdade maior. Vai ter briga? Vai. Vai ter tapa? Claro que vai. Vão ficar sem se falar? Várias vezes. Mas na hora que o bicho pegar, é ela que você terá primeiramente ao seu lado. E quando olhares para frente terás a mesma certeza que eu tenho hoje, é muito massa ter um irmão.

A vida da gente foi feita para dividir, sempre. E é com Luísa que você terá alguns dos melhores momentos da sua vida.

Então, João, hoje é o primeiro dia dos melhores dias da sua vida.

Vida nova a você e a Luisa.

Te amo.

P.S: Luísa, espero que você, nos outros dias da sua vida, não seja tão apressada quanto hoje.

Menina dos olhos do mar…

Antônio Maria eternizou: “Sou do Recife com orgulho e com saudade”. Recife a maior capital do Brasil, cidade da maior avenida em linha reta da América Latina, berço do Galo da Madrugada, maior bloco de carnaval do mundo. Recife tão antenada que não precisa de feriado para celebrar aniversário.

Recife de rios, pontes, overdrives e muita história. Berço de índios, portugueses, holandeses, judeus, imperadores e barões, alguns sem a menor nobreza. Recife das batalhas, da Guerra dos Mascates, da Revolução Pernambucana e de Frei Caneca. Recife que adotou, como faz como todos seus filhos, Dom Helder Câmara, nomeado Arcebispo de Olinda e Recife coincidentemente no dia do seu aniversário, em 12 de março de 1964.

Recife de Edgar Morais, Fernando Lobo, João Falcão, Tereza Costa Rego, Geninha da Rosa Borges, Reinaldo de Oliveira, Renato Phaelante… Do Teatro de Amadores de Pernambuco, de João Cabral de Melo Neto. Recife do seu hino escrito por Manoel Aarão e musicado por Nelson Ferreira.

Recife das desigualdades, da periferia, dos morros, dos arranha-céus, da Brasília, de gente honesta e batalhadora. Recife que, de tão poderosa, tem duas mães, Nossa Senhora do Carmo e da Conceição, nossa Ceça. Recife que cresceu dando as costas para sua história e hoje luta para preservar o que sobrou. Recife de encantos mil.

Recife minha cidade, meu berço, meu orgulho. Recife a melhor cidade do mundo. Recife que tem a magia de transformar quatro dias de festa em memória de uma vida inteira. Uma cidade que tem cheiro, tem calor e tem um dicionário próprio.

Recife do recifense, que precisa ter mais carinho por sua cidade. Nossa cidade que corre nas veias as águas do Capibaribe e Beberibe. Faço minhas as palavras de Cícero Dias: “Eu ví o mundo… ele começava no Recife”. Feliz Aniversário.

Fotos: Alcir Lacerda

Obs.: Para o bem da nossa amizade, só quem pode falar mal de Recife sou eu. Grato. A Gerência.