Meu caro amigo Chico Buarque, me perdoe, por favor!

Meu caro amigo Chico Buarque, me perdoe, por favor!

Já nos encontramos algumas vezes, momentos que guardo até hoje. Fico feliz em saber que estarás de volta. Como só agora apareceu um portador, te mando algumas notícias nessa fita, ou melhor, carta. Com coração partido, te escrevo para informar da impossibilidade do nosso encontro.

Quero lhe dizer que a coisa aqui tá preta. É muita mutreta pra levar a situação, tá puxado. Seu show, mesmo sendo incrível, está distante da minha realidade, com ingressos custando R$490. Ninguém segura esse rojão.

Meu caro amigo Chico, eu não pretendo provocar, mas acontece que não posso me furtar de lhe contar as novidades. Aqui, todo santo dia, é preciso uma pirueta pra cavar o ganha-pão. Mesmo a gente se amando, afinal sem um carinho ninguém segura esse rojão, não dá pra usar quase a metade de um salário mínimo pra gente se encontrar.

Por fim, quero lhe dizer que a Gabriela manda um beijo para os seus. Um beijo na família, nas crianças e na Clara, que lindamente canta Duetos ao seu lado.
Adeus!