Pense num toró!

Para quem ainda não sabe, eu moro em Recife, maior capital do mundo. E como toda megalópole que se preze, qualquer bobagem se transforma em um grande evento. Quando chove é assim também. A cidade e as pessoas se transformam. Nem parece que todo ano, nos mesmos meses, acontece tudo igual.

Primeiramente porque Recife é conhecida como a Veneza Brasileira. Não pelos rios Capibaribe e Beberibe, que recortam a cidade, mas pela síndrome de alagamento que nós temos. Basta São Pedro dar um espirro que a cidade toda já tá alagada. Além disso, estamos abaixo do nível do mar, o que facilita todo o processo. Mas se Nova York, Paris, Lisboa e tantas outras cidades também se atrapalham com a chuva porque nós não?

Outro capítulo interessante quando chove é o alvoroço que a turma das SUV’s ficam. A pessoa passa o ano inteiro esperando essa época parar colocar o carro na água e ainda por cima reclamar que alagou. De quebra ainda monta o look chuva recifense, acompanhado de botas e casacos para enfrentar a temperatura de 26 graus.

Outro capítulo a parte são os boatos. Recife gosta de um boato e quando chove então… É alagamento no Plaza, canal da Agamenom transbordando, Tapacurá estourando novamente e por aí vai. É tanto boato que é capaz de São Pedro mandar ainda mais chuva só para acompanhar a criatividade do povo.

Aqui tudo é diferenciado, até a chuva. Afinal, a gente vai comentar o que no elevador além do calor infernal que faz nessa cidade? A chuva, claro.

– Nossa! Que chuva hoje hein?
– Nem fala. Tudo alagado.